quarta-feira, 16 de março de 2016

AMAR E CUIDAR


Muito se fala sobre o amor e o amar... Mas esse assunto está ficando brega e arcaico. Mas não deve ser assim... A banalização desse sentimento fundamento do ser humano é um das grandes questões com as quais a humanidade num futuro recente terá de se confrontar.

E a humanidade já sente os efeitos dessa banalização. É só dar uma olhada rápida no ambiente ao redor: a lista é enorme e não há efeitos mais importantes que os demais... Todos são graves... Muito graves, em detrimento da maior maravilha entre as maravilhas da criação: o ser humano.

Os animais amam por instinto. É amor puro, para a preservação da espécie. Os animais preservam a natureza e o ambiente e do jeito deles cuidam de suas crias e das fontes de alimentos, sem destruir o ecossistema que os mantém vivos. Cuidar é a palavra forte. Há, porém,  varias concepções de amor, como veremos a seguir.

O amor EROS, que é a busca pelo parceiro para a união conjugal, para a procriação e para o prazer sexual. É movido pela atração física, pela beleza corporal. Mas é amor, ,por isso legítimo. Os animais o praticam nos seus limites instintivos.....

O amor STORGÉ,  que é familiar, materno, paterno, filial. O amor de pai e mãe é básico para a com formação e equilíbrio psicológico dos filhos. É fonte de segurança e de maturidade. Depende, é claro da maturidade dos pais.

O amor FILOS ( ou Philia) que é amizade, respeito pelos os outros. Gera interesse, acolhimento, altruísmo. Daí a expressão “filantropia”, sentimento que move as pessoas ao voluntariado, ao compartilhamento de tempo e material em prol de pessoas carentes ou excluídas da sociedade....

O amor ÁGAPE que é o amor total, de doação, de dedicação, de compartilhar tempo, de renúncia. É o símbolo do amor de Deus, mas também aquele que leva alguém a renunciar sua vida por ccausa de outras pessoa. Assim são os missionários... Assim são os filhos que  perdem sua perspectiva de vida própria para cuidar de pais idosos, acamados e dependentes.

Em todas as concepções de amor há sempre espaço para incluir nelas a ideia do cuidado. Já é famosa a frase “Quem ama cuida”, que até já foi tema de música, de poesia, de sermões de, padres, pastores e papas.

Se fosse o caso de uma ação de resgate do amor, a principal parte a ser regatada deveria ser, de fato, o cuidado, pois quem ama e tem cuidado cumpre essencialmente a sua missão de vida, já que ninguém vive só. Precisa cuidar e se cuidado. Cuidar para que a pessoa amada seja feliz (e não mero objeto consumo e de prazer), para que o amigo seja feliz, para que o filho cresça de forma equilibrada, com os limites estabelecidos, para que a natureza seja preservada, para que a moral social seja mantida, para que a corrupção não se alastre, para que as causas da violência sejam minimizadas... Para que os idosos mantenham sua dignidade de vida.

Amar e cuidar vão além da superficialidade, da aventura, da efemeridade... Amar e cuidar são projetos de vida que nascem na essência do humano e se projetam para todo o tecido social.

Hoje, devido à vulgaridade, à banalização da vida e dos valores, à superficialidade, amar e cuidar não passam de uma grande utopia...

Utopia... Utopias... Sonhos que farão falta.



Imagem: Google

terça-feira, 15 de março de 2016

A QUESTÃO DO ABSOLUTO


O que é o absoluto? É um assunto para os pensadores e doutrinadores religiosos. Porém, todos nós, constantemente somos levados a questionar, ainda que inconscientemente, o nosso conceito de absoluto. Faz parte do nosso ser, da nossa essência. Nesse sentido, como não somos especialistas, o absoluto é relativo.

O absoluto, na verdade se confunde com a verdade total, com o Ser Supremo, com o Criador, com aquele que é o “Princípio” e o “Fim” de tudo.

Nesse sentido vale algumas considerações e questionamentos sobre o conceito de absoluto para as pessoas comuns. Senão, vejamos.

O que é o absoluto para o sertanejo, o matuto, que nasceu, cresceu, amadureceu e está prestes a terminar os seus dias no mesmo lugar e na mesma atividade, isto é, lavrar a terra, semear, colher, guardar, vender, cuidar dos animais, num  mundo restrito? Claro que hoje, graças aos meios de comunicação ele está antenado com o mundo urbano, mas não tem interesse ou não consegue as informações que recebe.

O que é o absoluto para quem teve uma grande perda material, humana ou sentimental, e ficou sem chão, sem perspectivas, em plena solidão de si mesmo?

O que é o absoluto para quem nasceu na periferia, cresceu na periferia, estudou na periferia, engravidou mais de uma vez na periferia, trabalha na periferia, vê seus filhos crescerem nesse mesmo círculo da pó reza?

O que é o absoluto para quem deu tudo errado na vida? O que planejou deu errado, os estudos não deram certo, o casamento foi um fracasso, não se fixa num emprego... Chega mesmo a pensar que não foi “cegonha” lhe trouxe e sim uma dessas aves “mal agourentas”.

O que o absoluto para quem não consegue elaborar um TCC e com isso não termina o curso universitário? O que é o absoluto para um padre que deixa o ministério para se casar  e, como consequência, não consegue se estabilizar economicamente e o casamento fracassa?

E por diante... A mãe com seu filho no mundo das drogas ou encarcerado... Alguém com uma doença degenerativa... As vítimas das catástrofes naturais que roubam o pouco que possuem... Os violentados nas suas infinitas formas... E tantas e tantas outras situações e sofrimento, de dor, de realidade nua e crua... O que é o absoluto para essa gente?

O absoluto é ambíguo: por um lado é maravilhosos quando motiva a busca da verdade maior via filosofia, via questionamentos das questões ultimas ou os princípios das coisas. Exige o pensamento, o exercício da lógica, da dúvida, do pensar profundamente. Por outro, é a verdade irretorquível, inexorável, imutável... Deixa marcas indeléveis na alma das pessoas.



Imagem: Google

segunda-feira, 14 de março de 2016

RESPEITO E HUMILDADE


“Quando se respeita alguém não queremos forçar sua alma sem o seu consentimento”
Simone de Beauvoir

A expressão “respeito” dá ensejo para uma série de considerações. Ela significa submissão, que é ruim quando em demasia;

Ela significa sujeição às leis. Estas, podem ser injustas, caso que depende da educação política da sociedade, em que assim sendo podem melhorá-las.

Ela significa a valorização do próximo, com o objetivo da harmonia social, da paz, da construção do bem comum. É esse significado que nos interessa no momento.

Nesse sentido, a expressão “respeito” tem o sentido de não fazer aos outros o que não queremos para nós. É não maltratar, não humilhar, não constranger, não deixar mal perante os demais. Interessante  é sua origem latina... Ela vem de “respectus”, que em sua época significava o ato ou efeito de respeita, de venerar, de render homenagens. Alguns linguistas dizem que “respectus” significa, também, “ter um novo olhar”, ou “olhar novamente”... Assim quando se respeita uma pessoa, reconhece nela suas virtudes e suas qualidades.

Talvez essa origem tenha inspirado o Papa São João XXIII, quando disse: “Devo estar convencido que meu próximo é sempre melhor que eu, e, por isso, digno do maior respeito”. (Folhinha do Sagrado Coração de Jesus – Portal Vozes).

Uma bela lição de convivência: o respeito, a valorização, a veneração, o cuidado para com os outros. Lição de humildade. Ah! A humildade, postura tão ausente nos dias de hoje, dias marcado pela tecnologia, pela informação imediata, e, também, pela banalização e banalidades.

Violência, corrupção, aviltamento da condição humana, desagregação das famílias, relativização dos valores, dessacralização dos sentimentos religiosos e principalmente do corpo humano, vítima mortal do sexualismo e da sexualidade. Desrespeito... Em ambiente assim sobressaem a arrogância, o autoritarismo, a soberba, o “levar vantagem em tudo” e a qualquer preço.

Está claro que o respeito mútuo é fundamental para o ordenamento natural e equilibrado do país, da sociedade, das famílias, dos relacionamentos, enfim... E o mais importante: não se deve esperar respeito para depois respeitar. Respeito dos demais vem por acréscimo.

Lição de humildade.



Imagem: Google

quinta-feira, 3 de março de 2016

DESAFIOS

Nascer, crescer, amadurecer, viver a vida, enfim, é, sem dúvida uma sucessão de pequenos e grandes desafios. Nesse trilhar de caminhos, somos guerreiros (claro, se quisermos vencer os desafios), pois a vida é  mesmo uma guerra constante. De manhã sonhos passageiros de uma grande viagem... À noite somos sobreviventes... E tome desafios...

O primeiro grande desafio acontece no primeiro encontro quando ainda éramos espermatozoide e óvulo... Para que esse encontro quantos desafios, quanta luta, quanto sufoco.

No momento do nascimento outro grande desafio: filho e mãe travam uma grande e dolorosa batalha pela conservação da vida. O primeiro choro é mais uma vitória. E o crescimento saudável outra batalha. O aprendizado, a descoberta do mundo, o desmame, os relacionamentos, as vacinas, o amadurecimento biológico, o caminhar pelas próprias pernas, as escolhas e as colheitas...

E os desafios vão se sucedendo. Somos desafiados a competir e a derrotar o competidor (ou competidores). Assim são os vestibulares e a busca por emprego, especialmente o primeiro emprego. Vencem literalmente os melhores, melhores batalhadores, melhores estrategistas, os mais bem preparados. Portanto, a preparação (com estudo e leitura) está na base da estratégia para vencer os desafios da vida.

Temos desafios no cotidiano da vida, desde as coisas corriqueiras, como uma partida de futebol, ou de truco, ou de dominó, de dama, de tênis, de vôlei, etc., etc., etc.

Somos, também desafiados para os grandes e decisivos eventos da vida. A mudança de emprego, de país, de ramo de atividade. Nesse momento precisaremos da “resiliência”, que é a capacidade de enfrentamento dos grandes desafios e das turbulências da vida sem perdermos a nossa essência. A manutenção da ética e a “resiliência” formam uma dupla imbatível. Somos desafiados constantemente no campo da ética. Com a palavra os políticos.

O desafio é sempre uma coisa boa, pois é uma oportunidade de crescimento em todos os sentidos. Primeiro revela nossas fraquezas e depois consolida os aspectos nos quais somos fortes. Eliminar as franquezas e consolidar as virtudes, eis o grande ensinamento dos desafios maduramente enfrentados.

E o desafio maior que enfrentamos na vida é a superação de nós mesmos, a começar pelo autoconhecimento. Depois vêm as escolhas, a reconciliação com o passado (isto e, livramos das mágoas e rancores), a aceitação de novas ideias, o aprendizado continuo, a adaptação às novas exigências do tempo, a superação dos vícios, da arrogância, do autoritarismo, do egoísmo, do orgulho, da antipatia, da chatice enfim...

Portanto, o nosso maior confidente é o travesseiro... Ele dirá se nesse dia fomos bons ou maus guerreiros... E tome desafios!



Imagem: Google

quarta-feira, 2 de março de 2016

FALSIDADE


Falsidade é a principal característica de quem não é verdadeiro, de quem prefere a mentira, a dissimulação, o engodo, a calunia, a difamação, a enganação, a desfaçatez, a esnobação, a antiética. O objetivo, ou os objetivos, de uma pessoa falsa é obter vantagens, como o mascaramento de vícios, defeitos, qualidades negativas, enfim, características que tornam as pessoas inferiores em determinados momentos ou situações da vida. Há, portanto, uma “certa utilidade” na falsidade.

A falsidade está impregnada na sociedade como uma praga invisível e que se alastra silenciosamente, comprometendo relacionamentos, a dignidade das pessoas, projetos políticos e a própria democracia, bem maior de  uma sociedade livre.

A falsidade está a serviço da classe dominante, dos lideres empresarias e executivos autoritários e prepotentes, dos profissionais liberais que atentem aos interesses de grupos que estão no poder, desejam manter monopólios, trustes e cartéis.

A falsidade está a serviço do mal amante, dos ciumentos, dos que se sentem donos de gente, quando cultivar o amor,  respeito, a liberdade...

A falsidade é má conselheira, é negativa e torna as pessoas indesejáveis. É má educadora, dando péssimos exemplos para crianças que crescem em ambientes dominados por ela e passam a pensar que ser falso é natural, é normal, é uma forma de sobreviver ou de se impor na sociedade.

Não existe falsidade boa ou útil. Não existe mentira necessária... A falsidade machuca muito e dói tanto quanto. Mantém a infantilidade das pessoas falsas. Suas marcas são indeléveis, isto é, eternas, para sempre.

A falsidade ideológica é a condição jurídica de quem esconde a verdade oficialmente... É um crime tipificado quando alguém omite documentos, insere declarações e testemunhos falsos ou adulterados, com o objetivo de dificultar o exercício da justiça.

Os falsos, apesar de tudo, não conseguem praticar o “olho no olho”... Por isso não é difícil detectar quem é ou está sendo falso ou mentido. Basta fixar o “olho no olho”... É insuportável. A verdade deve vencer sempre.

Para combater a falsidade é preciso resgatar a verdade em todos os sentidos. A verdade também dói, também machuca. Mas o seu efeito é de cura, é de paz, é de crescimento, é de amadurecimento.

Para encerrar, uma reflexão de Buda: ”Um amigo falso e maldoso é mais temível que um animal selvagem; o animal pode ferir o seu corpo, mas um falso amigo  irá ferir sua alma”.

Está dito...



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terça-feira, 1 de março de 2016

A ROTINA É COMO FERRUGEM


Às vezes somos tentados e corremos o risco de repetir chavões já consagrados de desgastados pelos livros e textos de autoajuda. Certos temas parecem não mais terem lugar na vida das pessoas, simplesmente porque estamos numa outra época, talvez o pós-pós-modernidade.

Nesse sentido (nessa época) de ultra modernidade chamar a atenção para a rotina torna-se arriscado e soa como antiquado e inadequado. Coisas de velhice ou de falta de assunto. Mas vamos lá...

Rotina é sempre fazer as coisas sempre do mesmo jeito. Há age um dito popular, herdado do futebol dizendo que “em time que está ganhando não se mexe”. Daí o conceito chulo do “imexível”.

Hoje em dia ninguém dá a mínima para a rotina. Estão todos preocupados com os seus equipamentos de comunicação. Estamos, também, na “era da comunicação” instantânea, reafirmando a profecia de Herbert Marshall McLuhan a respeito da instalação da aldeia global. Quem não se comunica está fora dos trilhos. E p trem já foi e est4á apitando para além da curva.

E a rotina existe e, como uma espécie de ferrugem, detona os relacionamentos. Corrói os relacionamentos... Torna inviável um relacionamento sadio... Quanta solidão! Quanta irritação! Quanto estresse! Quanta depressão! (E depressão mata!) E tem gente que confunde uma irritação momentânea com estresse e depressão. A verdade é que a depressão leva ao suicídio muito letamente e as pessoas desse grupo de risco precisam de ajuda. Mas de quem? Se estão todos desligados ou envolvidos pela rotina?

Nos relacionamentos conjugais tudo começa de forma maravilhosa. Tudo é novidade... Claro que de imediato as máscaras já caem, pois literalmente as pessoas tiram as máscaras e as roupas se dando por inteiro um ao outro. As novidades acabam por aí. Então, os amantes precisam ser muito criativos para manter o espírito elevado das primeiras conversas, das primeiras mensagens, dos primeiros encontros...

“Quem ama cuida..”. Essa máxima, já antiga, surrada, ainda permanece válida e importante. No amor conjugal há uma troca fundamental que é um assumir a felicidade do outro, sem perder a liberdade própria. É um exercício difícil que requer maturidade. Um deve assumir, sim, a felicidade do outro, sem abrir mão de sua individualidade. Um não deve “morrer” para a vida, simplesmente para permitir a alegria e a realização do outro. O amor conjugal é uma construção comum, um caminha ao lado do outro, sempre mirando horizontes únicos, comuns. O amor, o amar são sinônimos de cuidado...

Acontece que nesse processo há o descuido, a .centralização em si próprio, a centralização, o sentimento de posse, o colocar-se em primeiro lugar, a “síndrome de Gabriela”, a fala de criatividade, a desatenção para com as necessidades, particularidades e peculiaridades da pessoa amada.  O resultado dessa equação chama-se rotina.

Um relacionamento rotineiro mantém as portas escancaradas para que o outro passe por ela e, talvez, jamais volte. A ferrugem é irreversível.



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