quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A LEI DA GRAVIDADE E O FATOR HUMANO


Uma das leis mais poderosas e desafiadoras da natureza é a lei da gravidade. Foi descrita por Isaac Newton na segunda metade do século XII. Ela define, segundo o próprio Newton, que “... Dois corpos atraem-se com força proporcional às suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que separa seus centros de gravidade”.

“A gravidade é uma das quatro forças fundamentais da natureza em que seus objetos com massa exercem atração uns sobre os outros”. Simplificando, a lei da gravidade diz que um corpo maior atrai um corpo menor. Por isso estamos sempre presos à terra que o corpo maior que nos atrai e nos prende.

Ela é importantíssima para o equilíbrio do planeta, do sistema solar, da galáxia e do universo com um todo. Só pode mesmo ser concebida por mãos superiores, mãos divinas. Sem ela tudo seria uma grande balbúrdia, caos total, e tudo já teria terminado e talvez a humanidade nem tivesse existido. 

Vencer essa lei é um grande desafio. Especialmente quando se deseja ati gir o espaço sideral. Quem acompanhou as viagens à lua pôde perceber o quanto e[de força e energia foi despendido para liberar o homem das amarras da gravidade que o prendiam à terra. Hoje parece corriqueiro, mas o esforço continua o mesmo. Enviar um artefato qualquer ao espaço é muito trabalhoso. Uma vez no espaço a gravidade de outros corpos celeste passa a ser uma grande aliada pela atração que exerce nos corpo vagantes ou viajantes. É muito bonito acompanhar essa avent4ura.

Mas não é o caso agora. Semelhantes à gravidade há outras leis que praticamente achatam o ser humano na superfície da terra, não permitindo a ele um olhar mais distante, em busca de um horizonte maior, mais deslumbrante para sua vida. Tratam-se dos valores, das premissas, das heranças culturais e emocionais que estão arraigadas em sua mente, em seu subconsciente. Vencer essas forças demanda um enorme gasato de energia, tão semelhante em proporção ao lançamento de um foguete ao espaço.

No primeiro caso são necessários cálculos estruturais, vetoriais, aerodinâmicos... O segundo caso, os estudos psicológicos, psiquiátricos, emocionais e, sobretudo, a vontade ferrenha e indômita de mudar, incorporada pelo indivíduo, são absolutamente essenciais. E, da mesma forma, qualquer falha, por mínima que seja pode comprometer uma vida inteira de felicidade plena.

Ninguém deve viver na zona de conforto, curtindo a “Síndrome de Gabriela” (Eu nasci  assim... Eu cresci assim...). A mudança é necessária. Ou melhor, a adequação às exigências do tempo, da idade, da modernidade, dos novos valores. O trem da História ganha velocidade cada vez maior em tempos de comunicação instantânea.

Romper a Lei da Gravidade possibilita ao homem conhecer novos mundos. Como agora a humanidade está conhecendo melhor o último planeta do sistema solar, o triste e rebaixado Plutão, mas que revela aos olhos humanos suas maravilhas e os segredos que podem explicar a origem do universo.

Vencer as forças que nos prendem ao passado, da mesma forma, descortina aos nossos olhos as maravilhas da criação: o próprio homem, a maior delas.

Se o criador foi generoso demais em organizar o universo de forma tão maravilhosa, mais generoso e amoroso Ele foi ao dotar o ser humano de potencialidades ainda mais maravilhosas, como as de poder explorar o macro universo exterior e o micro universo interior, onde estão a mente, as emoções, os sentimentos e seus desafios... Lá se localizam a inteligência e as degenerações (os Males de Parkinson, Alzheimer,  a Demência Senil) que tantos sofrimentos causam às pessoas e as famílias.

Mas, colocou também o amor, o grande sentimento que impele o ser humano a romper as leis do impossível.



Imagem: Google

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A SOBERBA


Há alguns aspectos positivos na soberba.

Um cavaleiro que e apresenta elegantemente, formando um belo conjunto com seu cavalo, havendo harmonia entre os seus gestos e o seu cavalo, dir-se-á que a apresentação foi soberba...

Um soldado que desfila garbosamente, com estilo, peito para a frente e cabeça perfeitamente alinhada com seu corpo, também receberá elogios, dando conta que o seu desfile foi soberbo.

Um time de futebol que faz uma partida irrepreensível, com as peças nos seus devidos lugares, com jogadas ensaiadas, preparo físico em alta, domínio do jogo do começo ao fim e com muitos gols marcados, não deixando dúvidas a respeito da sua qualidade como equipe, ouvirá dos comentaristas a expressão: “uma exibição soberba”.

E as graças param por aí. O que vem em seguida é muito negativo.

Pois, na verdade a soberba é um dos sete pecados capitais (os outros são: a gula, a avareza, a luxúria, a ira, a inveja e a preguiça), que atingem não apenas os cristãos, mas toda a sociedade. A soberba é um veneno social.

A postura da soberba faz de uma pessoa superiora às demais. É uma cultura ao ego, tornando a pessoa egocêntrica, centralizadora, autoritária, arrogante, inaceitável no convívio social.

Da soberba derivam outras posturas execráveis, como o orgulho, a vaidade, a prepotência, a presunção, a autossuficiência, a vanglória, o amor próprio, o exibicionismo. Não é fácil conviver com pessoas assim.

A soberba é a gênese de sentimentos maiores. Individualmente, além dos aspectos negativos citados acima, torna a pessoa racista, preconceituosa, xenófoba. Tais posturas podem irradiar-se a outras pessoas, ao grupo, à sociedade, tornando-a coletivamente racista, preconceituosa e xenófoba. Por isso, existem muitas sociedades que nutrem esses sentimentos e passam a dominar e perseguir populações inteiras que se mostram vulneráveis econômica, social e politicamente. A História Humanidade tem registrado situações como os Fundamentalismos, o Apartheid, as explorações coloniais, os massacres e a dizimação de populações inteiras, os genocídios. Tudo, tudo, fruto, em última análise, da soberba.

O antídoto à soberba é a humildade. Esta não inibe as pessoas de ter coisas, bens materiais, poder e riqueza. Porém, a humildade faz com que as pessoas coloquem esses bens em segundo plano. A humildade, também, não faz da pessoa uma ambiciosa a ponto de desejar o mal dos ricos. A humildade, sim, a coloca no seu devido lugar, com a consciência do caminho a percorrer para atingir os seus objetivos.

A humildade, ao contrário da soberba, promove a abertura de coração para o diálogo, para a concórdia, para o respeito, para a harmonia social.  Enquanto a soberba está nas raízes das guerras, a humildade é a ponte para a paz.

É bem melhor a humildade...



Imagem: Google

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

VICENTE DE PAULO, O SANTO TODO CARIDADE


Neste 27 de Setembro, a Igreja Católica, a França e a humanidade inteira celebra o falecimento de São Vicente de Paulo, ocorrido em 1660. Sim, porque para que quem é santo a morte é uma celebração, celebração do seu nascimento para o céu, para a eternidade.

Vicente de Paulo teve vida longa para os padrões da época: nasceu em 14 de Abril de 1581, na aldeia de Pouy, sul França e faleceu em Paris, em 27 de Setembro de 1660. Sua vida, de inicio, simples no campo, ganhou um ímpeto extraordinário a partir de sua ordenação sacerdotal em 1660, aos 19 anos de idade. Abraçou radicalmente sua vocação e principalmente a causa dos pobres.

Sua vida foi um suceder de emoções fortes, pois não bastando os clamores da pobreza que tanto o inquietavam, foi escravo, vendido de mão em mão; capelão das galeras, aonde chegou a ser remador sob chicotadas; e enviado à locais inóspitos para assistir, orientar e promover os trabalhadores famintos. Mas nunca questionou Deus por isso. Alias, foi um fiel cumpridor dos desígnios de Deus e confiante pleno na Providência Divina.

Ativo, vivaz, atento às necessidades humanas, humilde servidor da Igreja Católica, sua vida foi intensa, plena de realizações e contatos, não só com a massa de necessitados da turbulenta França do Século XVII ( devastada pela Guerra dos Trinta Anos), mas também com Reis, Rainhas, Autoridades, Bispos e Papas. A todos servindo com mesmo amor e respeito. Dizia: “Não sou daqui nem dali, mas de qualquer lugar onde Deus que eu esteja”.

Vicente de Paulo, antes de tudo foi um homem de fé, de oração, mas sobretudo de ação prática. Tendo em mente o alivio do sofrimento dos pobres, sempre pensando neles, criou instituições que o auxiliassem de forma organizada nessa tarefa gigantesca: Em Agosto de 1617 fundou organização das “Damas de Caridade” para congregar as senhoras da sociedade parisiense, hoje se chama AIC – Associação Internacional de Caridade. Ainda em 1617 criou as confrarias da Caridade, uma espécie de encontro semanal para aprimorar o conhecimento religioso das pessoas, homens e mulheres. Em abril de 1625 fundou a Congregação da Missão para formar padres missionários da caridade. E, em Novembro de 1633, a Congregação das filhas da Caridade, cujas “irmãs” teriam como “clausura as ruas e as casas dos pobres”.

E não parou por aí. O seu carisma, isto é o seu amor pelos pobres, continuou inspirando pessoas de bem pelos Séculos seguintes. Tanto que, hoje, no mundo são 165 instituições criadas sob sua inspiração e seu carisma,  voltadas para assistência aos menos favorecidos e excluídos da sociedade, que formam a conhecida “Família Vicentina”, entre elas a SSVP – Sociedade de São Vicente e Paulo. Dessas 165 instituições pelo menos 23 atuam no Brasil.

Vicente de Paulo não é só um personagem religioso. É um dos grandes ícones da História da Humanidade. Sua vida e sua obra é um divisor de águas. Se hoje a humanidade respira Direitos Humanos precisa conhecer as contribuições desse homem que tanto fez pelos marginalizados, excluídos em empobrecidos.

Por fim as palavras de São João Paulo II:

“Voltemos nossa mente e nosso coração para /são Vicente de Paulo, homem de ação e oração, de organização e de imaginação, de comando e de humildade, homem de ontem e de hoje. Que aquele camponês das Landes, convertido pela graça de /deus em gênio da caridade, nos ajude a todos a por mais juma vez as mãos no arado – sem olhar para trás – para o único trabalho que importa, o anúncio da Boa nova aos pobres...”



Imagem: Google

domingo, 25 de setembro de 2016

A GRANDE VIAGEM



“Não devemos parar de explorar. E o fim de toda nossa exploração será  chegar ao ponto de partida e ver o lugar pela primeira vez”.
T. S. Eliot

Durante a nossa vida temos ou teremos oportunidade de realizarmos muitas viagens. Podemos viajar para fazer turismo. Podemos viajar para realização de negócios. Podemos viajar para matar saudades de parentes ou para a comemoração de aniversários ou, ainda, para sepultamentos de entes queridos. Podemos viajar para a exploração da natureza, conhecer lugares e fenômenos naturais. Podemos fazer trilhas e peregrinações,  como percorrer o “Caminho de Santiago de Compostela”. Podemos fazer romarias de ônibus, de carreatas, a pé, a cavalo...

Podemos fazer viagens especiais em busca de conhecimento, fazer uma especialização, uma pós-graduação ou um pós-doutorado.

Todas as viagens devem acrescentar algo em nossa vida. Por isso devemos terminá-las melhores em relação a quando as começamos. Temos que evoluir sempre.

Mas, a grande viagem podemos fazer sem sair de casa, ou percorrendo lugares bem próximos de nós. Parece paradoxal, mas é isso mesmo. É a busca do conhecimento através do estudo, da leitura, da observação, da quebra de paradigmas, culminando com o autoconhecimento, isto é, acrescentando a tudo isso estudos sobre mudança de premissas, mudanças do modo de ver o mundo e as pessoas.

Pois é absolutamente correto que grande parte dos problemas que atribuímos às pessoas não está nas pessoas, mas em nós mesmos. É preciso compreender isso... E e a partir dos conhecimentos adquiridos explorarmos o nosso íntimo para encontrarmos os caminhos para a mudança de paradigmas necessária para enxergarmos o mundo a partir do mundo das pessoas, a partir do outro... É o princípio da auteridade.

A essência da mudança é essa: a conscientização a respeito da necessidade de mudança. E as coisas começam a ficar mais claras, com os novos comportamentos que assumimos, começando pela diminuição da ansiedade em impor nossas ideias, nossa maneira de ser, nossas atitudes, nossos conhecimentos para que os outros nos aceitem. E, então descobrimos que fazemos isso com os pais, com as esposas, com os filhos, com os amigos, com os chefes, com os subordinados. Por isso nossa vida é inadequada, com fracassos contínuos... Nossa vida se transforma num.

Portanto a grande viagem é esta: em direção do nosso íntimo, em busca dos condicionamentos que estão no recôndito de nossa alma. É uma grande exploração, exploração do desconhecido. As informações obtidas, os tesouros recolhidos transformar-se-ão nas pontes para o autoconhecimento. Junto dele estarão as transformações as mudanças que nos tornarão mais felizes, mais aceitos, mais integrados, mais amigos, mais felizes.

Estaremos, sim, no “ponto de partida...”, que será outros, pois será contemplado com outros (e novos) olhos.

Será o retorno de uma grande viagem, a maior, mais frutífera e mais importante de nossa vida.


Imagem: Google

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

"PRIMAVERAS", POEMA DE CASIMIRO DE ABREU (1º DE JULHO, 1858)


PRIMAVERAS
Casemiro de Abreu


(1839-18600)

A primavera é estação dos risos.
Deus fita o mundo com celeste afago,
Treme as folhas e palpita o lago
Da brisa louca aos amorosos frisos.

Na primavera tudo é viço e gala,
Trinam as aves a canção de amores,
E doce e bela no tapiz das flores
Melhor perfume a violeta exala.

Na primavera tudo é riso e festa,
Brotam aromas do vergel florido,
E o ramo verde de manhã colhido
Enfeita a fronte da aldeã modesta.

A natureza se desperta rindo,
Um hino imenso à criação modula
Canta a calhandra, a juriti arrula.
O mar é calmo porque o céu é lindo.

Alegre e verde se balança o galho
Suspira a fonte na linguagem meiga,
Murmura a brisa: - Como é linda a Veiga!
Responde a rosa: - Como é doce o orvalho!

Mas como às vezes sobre o céu sereno
Corre uma nuvem que a tormenta guia,
Também a tira alguma vez sombria
Solta gemendo de amargura um treno.

São flores murchas: - o jasmim fenece
Mas bafejado s’erguerá de novo
Bem como o galho do gentil renovo
Durante a noite quando o orvalho desce

Se um canto amargo de ironia cheio
Treme nos  lábios de cantor mancebo
Em breve a virgem de seu casto enlevo
Dá-lhe um sorriso e lhe intumesce o seio

Na primavera – na manhã da vida –
Deus às tristezas o sorriso enlaça,
E a tempestade se dissipa e passa
A voz mimosa da mulher querida.

Na mocidade, na estação fogosa,
Ama-se a vida – a mocidade é crença
Canta, palpita, s’atasia e goza


Imagens: Google