Uma
frase que se tornou jargão popular, mas que nos confronta cotidianamente: “Arte imita a vida... A vida imita a arte”.
No fundo é praticamente a mesma coisa.
A arte
é uma forma de comunicação, muitas vezes não verbal. E o grande trunfo, ou o
mistério, ou a capacidade do artista é a leitura da vida, dos sentimentos, dos
dramas, das tristezas, das alegrias, das esperanças, das frustrações das
pessoas. No teatro a arte representa, mas toca fundo o íntimo de cada um, pois
muitas vezes os expectadores se vêm representados no palco. “Parece que é comigo!”
Coisas
de artistas para os amantes da arte... Entretanto, artistas somos todos nós. E
essa confrontação entre realidade e sonho, verdade e inverdade, o ser e o não
ser. Por que isso?
Porque
a todo instante somos instados a ser
verdadeiros ou não, sem que isso signifique sermos falsos. Não somos instados
pratica da falsidade, mas, sim, fazermos “um jogo de cena”, isto é,
representarmos um papel, justamente para não provocarmos a mágoa, a frustração,
a humilhação de alguém. É muito mais uma situação de prudência.
O “jogo
de cena” é um dos componentes da arte de representar... Outros podem chamá-la
de “misancene”
Um
exemplo bem característico dessa situação é o ensinamento do Professor Mário
Sergio Cartela, quando diz que “...O nosso conhecimento deve ser para encantar
as pessoas e não para humilhá-las”. Assim, em determinados ambientes é a
humildade que deve falar mais alto. O conhecimento deve estar sempre aliado à
humildade e ser “acionado” apenas quando necessário ou quando uma situação
exigir.
Fazemos
“jogo de cena” sempre, por humildade, por educação, por necessidade, por
proteção à vida, nossa ou de terceiros, por prudência, para evitar
constrangimentos.
Há quem
diga que concordar com o interlocutor é uma boa maneira de terminar uma
conversar desagradável. É um “jogo de cena” prudente, pois não é agradável e saudável uma conversa
desagradável. Por terminar em discussão e briga, deixando de ser “diálogo’.
Isso
são algumas situações que ilustram o nosso cotidiano. Sim, no cotidiano a arte
de representar, como dissemos é uma arte, arte da sobrevivência, a arte de
cultivar bons relacionamentos.
Porém
existem os grandes jogos de cena... Todos nós ficamos pasmados, embasbacados
com as revelações de escutas telefônicas envolvendo autoridades e pessoas
públicas. Quantos jogos de cena! O triste é imaginar que o que foi divulgado é
apenas um pequenino grão de areia na imensa praia dos bastidores dos poderes:
político, econômico, jurídico e das pessoas que têm nas mãos os destinos de uma
nação inteira.
Pobre
República!
Imagem:
Google
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