Tem
polêmica no ar...
A
tendência é a consideração de que ciúmes não são provas de amor. A solução
simplista é a seguinte: amor é sinônimo de algo saudável, que completa a
pessoa, eleva sua auto-estima, é fonte de alegria e felicidade. O amor é
transbordante, pois se projeta no outro. Já o ciúme é doença. Doença faz mal,
provoca tristeza, causa isolamento da pessoa, transformando-a em chatice,
ranhetice, inconveniências, arrogância, enfim, em pessoa de difícil
convivência.
O ciúme
apresenta-se em graus de intensidade, cada qual com suas implicações no
relacionamento a dois.
O
primeiro grau é o do “cuidado”.
Neste, ainda é possível perceber uma atitude saudável, em que prevalece o
cuidado da da pessoa que ama em relação à pessoa amada. Há uma preocupação com
o ridículo, com exageros que podem gerar constrangimentos à pessoa. As boas
coisas param por aí. A Luz amarela (de atenção) está acesa.
O segundo grau é o do “ciumento acidental”. A pessoa se vê de repente tomada por um
sentimento de ciúme, quando percebe que está ameaçada, tem medo de perder e
entra em confronto com uma terceira pessoa. A doença começa a se manifestar e o
perigo de constrangimentos se volta para a pessoa enciumada. A luz começa a
ficar vermelha.
O terceiro grau é o do “ciumento propriamente dito”. A pessoa se sente dominado pelo ciúme
no sentido clássico. Não tem motivos para sentir ciúmes da pessoa amada. Mas
sente. É desconfiado, imagina coisas, vasculha bolsas e bolsos, mexe no
celular, nas redes sociais, vive com medo e sofre demais com a possibilidade de
perder a pessoa amada. Coloca-a em xeque em público, causando-lhe situações de
ridículo. Aí já não é mais amor, é posse. E com certeza vai perdê-la mesmo. A
menos que essa pessoa seja também fraca de personalidade. É doença. Luz
vermelha acesa.
O quarto grau é o do “ciumento doentil”. A pessoa é doente e perigosa. É fantasiosa,
vive em delírios e é perigosa. O ciúme é patológico e corre risco de terminar
em tragédia, como bem mostra a vida
real, através das páginas policiais. Perigo a vista... É melhor fugir dessa
pessoa, antes que seja tarde.
A grande verdade é que em qualquer grau o
ciúme nasce da incapacidade de lidar com as dificuldades da vida, da
insegurança, da auto-estima baixa... Tudo isso tem como conseqüências o medo
perder a pessoa amada, transformando o amor verdadeiro em possessividade.
No mundo de hoje, o ciumento é detestável e
com certeza é um sério candidato a viver só. Para não correr este risco basta
buscar a maturidade, acreditar no seu “taco”, elevar sua auto-estima e não se
comparar com ninguém. Cada um tem suas qualidades específicas. Essa mesma
maturidade vai lhe permitir vivenciar com tranqüilidade e consciência as
possíveis perdas. Os relacionamentos, hoje em dia, pelas próprias características
do tempo, são extremamente volúveis e voláteis. E com as redes sociais em alta,
ninguém (menos os ciumentos) vai ficar “a ver navios”. Luz verde no fim do
túnel.
Ciúmes não são provas de amor...
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